Tecnologias da Pumatronix automatizam identificação de infrações em tempo real e ampliam capacidade de monitoramento nas vias.

O uso de celular ao volante e a ausência do cinto de segurança continuam entre os comportamentos mais perigosos no trânsito brasileiro. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, mais de 600 mil motoristas foram multados por manusear o celular enquanto dirigiam no país, uma média de sete autuações por minuto, segundo dados da Senatran. Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagrou 54,5 mil pessoas sem cinto de segurança ou cadeirinha durante a Operação Rodovida 2025/2026. O uso do celular pode aumentar em até 400% o risco de acidentes, além de comprometer diretamente o tempo de reação dos motoristas. Em rodovias e grandes centros urbanos, onde o volume de veículos é elevado, a fiscalização manual dessas infrações ainda representa um grande desafio operacional.
Com o avanço da inteligência artificial aplicada à mobilidade, a tecnologia passou a ser utilizada como aliada para ampliar a capacidade de fiscalização, tornar o monitoramento mais eficiente e contribuir para a redução de acidentes nas vias. Ao automatizar a identificação dessas infrações em tempo real, os sistemas permitem uma fiscalização mais ampla e contínua, aumentando a percepção de controle nas vias e ajudando a desestimular comportamentos de risco antes que eles resultem em acidentes. Nesse cenário, a Pumatronix, empresa brasileira especializada em soluções para mobilidade e monitoramento inteligente, desenvolveu um módulo de IA capaz de identificar automaticamente motoristas utilizando celular ao volante e ocupantes sem cinto de segurança, tanto em ambientes urbanos quanto em rodovias.
A solução funciona integrada às plataformas ITSCAMPRO e Nevada, sistemas da empresa voltados à gestão, triagem e validação de infrações. Por meio de câmeras posicionadas sobre a via, a inteligência artificial analisa o para-brisa dos veículos em tempo real e identifica possíveis irregularidades, gerando registros com imagens, reconhecimento de placas, data, horário e localização georreferenciada.
“O grande desafio da fiscalização tradicional é a escalabilidade. Em vias de alto fluxo, é impossível monitorar manualmente todos os veículos o tempo todo. A inteligência artificial permite ampliar essa capacidade, automatizando a identificação de comportamentos de risco e apoiando os agentes de trânsito com muito mais eficiência”, afirma Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia da Pumatronix.
Segundo a empresa, o sistema opera 24 horas por dia e consegue funcionar tanto com câmeras diurnas quanto infravermelhas, permitindo detecção também em períodos noturnos. Além disso, os registros passam por uma etapa de validação humana dentro da plataforma Nevada antes do encaminhamento ao órgão fiscalizador, garantindo maior robustez jurídica ao processo de autuação.
Outro diferencial é a possibilidade de integração com câmeras já instaladas em rodovias e cidades, reduzindo a necessidade de substituição de infraestrutura existente. O modelo permite habilitar os módulos de IA remotamente, transformando sistemas de monitoramento já operacionais em estruturas mais inteligentes e automatizadas. “A tecnologia não substitui a fiscalização humana, mas potencializa a capacidade operacional dos órgãos públicos. O objetivo é aumentar a cobertura, reduzir custos operacionais e atuar preventivamente para diminuir comportamentos que colocam vidas em risco”, completa Krzyzanovski.
Além da fiscalização e contribuição para evitar acidentes, soluções baseadas em IA também ajudam a transformar infrações em dados estratégicos para a gestão do trânsito. A partir das informações coletadas pelas câmeras e plataformas de monitoramento, órgãos públicos e concessionárias conseguem identificar padrões de comportamento dos motoristas, como horários com maior incidência de uso de celular ao volante, trechos com baixa adesão ao cinto de segurança e regiões com maior recorrência de infrações. Esses dados permitem direcionar campanhas educativas de forma mais precisa, reforçar ações de fiscalização em pontos críticos e até apoiar decisões relacionadas à operação das vias e à segurança viária. Na prática, a tecnologia deixa de atuar apenas de forma fiscalizatória e passa a contribuir também para prevenção e planejamento.