Uma pequena revolução na engenharia de tráfego

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O que o leitor vê diante de uma foto de um congestionamento? Para muitas pessoas, são apenas veículos, mas, para os sistemas de Intelligent Transportation Systems (ITS) é uma grande oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o tráfego e até sobre os próprios veículos. Algoritmos especializados podem “ler” quantos veículos estão presentes na imagem, qual a categoria de cada um deles (moto, ônibus, caminhão, carro), quais eram suas velocidades estimadas no momento do registro, por quanto tempo estiveram ocupando a via, além de identificar a placa e obter a assinatura digital, entre outras informações.

Captar todos esses dados só é possível graças a algoritmos que estão cada vez mais inteligentes e eficazes, fazendo diversos cálculos e análises comparativas em frações de segundos; eles podem até mesmo ser ensinados e têm a capacidade de aprender tudo o que podeser identificado nas imagens, por meio de métodos de desenvolvimento baseados em inteligência artificial e aprendizado de máquinas (machine learning).

O avanço tecnológico não está presente apenas no âmbito de softwares e algoritmos, mas também na capacidade de processamento das máquinas e computadores. Como exemplo podemos citar as câmeras, que, em muitos casos, têm a função de capturar e gravar fotos e vídeos, mas estão evoluídas a ponto de realizar diversos processamentos de imagem em tempo real. Isso significa que, ao mesmo tempo em que as imagens estão sendo gravadas, informações estão sendo extraídas e armazenadas de forma estruturada para serem compartilhadas com outros sistemas que poderão gerar alertas, relatórios, além de fazer a análise do comportamento do tráfego.

As novas tecnologias podem entregar para o mercado soluções altamente eficientes e mais baratas, dispensando, por exemplo, o corte do asfalto para instalação de laços indutivos, e que exige manutenção periódica. Em vez disso, as câmeras podem fazer a detecção de veículos e extração das informações apenas pela imagem.

Unindo os softwares e bibliotecas de processamento de imagem com os equipamentos que possuem alto poder de processamento e utilizando o conceito de processamento de borda (que dá mais poder para os equipamentos e utiliza de forma eficiente e inteligente os meios de comunicação), é possível promover uma pequena revolução na engenharia de tráfego.

Esses sistemas permitem que os controladores semafóricos alterem em tempo real a sincronização dos semáforos, reprogramando o tempo de verde e vermelho em cruzamentos específicos. O uso de câmeras permite, ainda, acessar esporadicamente uma imagem do cruzamento e verificar possíveis incidentes de trânsito. A onda verde pode ser criada conforme o entendimento do fluxo dos veículos, possibilitando uma maior fluidez no trânsito.

Vale destacar que a falta de sincronismo no sistema semafórico pode ocasionar problemas para o trânsito, desde motoristas impacientes e estressados, desperdício de combustível, formação de trânsito lento, desrespeito ao sinal vermelho, até o risco de colisão traseira, entre outros acidentes. Nesse sentido, sistemas inteligentes garantem o monitoramento, planejamento e análise de tráfego, a fim de melhorar o fluxo de veículos que transitam nas vias urbanas.

Entre os fatores fundamentais para o sincronismo entre semáforos estão a interligação em rede, programação semafórica, monitoramento em campo, fator humano, procedimentos de trabalho e a manutenção semafórica.

Por meio de tais soluções, as análises são feitas em tempo real, onde as faixas são monitoradas por controladores semafóricos. O sistema realiza a gestão do tráfego de forma adaptativa, com ajustes de temporização que são feitos de acordo com o fluxo viário.

Essa otimização na operação do sinal aberto, que passa a atingir a sua capacidade máxima, vem ao encontro da mobilidade urbana. E, embora os desafios sejam reais, as respostas virão com o tempo. Com o auxílio da tecnologia, o tráfego fluirá com mais facilidade e os congestionamentos serão reduzidos. Especialmente nos cruzamentos, o controle semafórico é uma necessidade, que garante, além da fluidez, mais segurança no trânsito.

A onda verde também traz benefícios para o transporte coletivo, composto por ônibus, na maioria dos casos, e que ocupa mais espaço na via. Os ônibus precisam de mais tempo para percorrer certos trechos, por serem mais lentos e terem de fazer paradas constantes para embarque e desembarque de passageiros. Diante disso, fazer a contagem e determinar a ocupação da via de forma automatizada permite que os semáforos se ajustem nos períodos de maior fluxo de veículos do transporte coletivo, priorizando sua passagem.

O fato é que as cidades têm se modernizado cada vez mais, e o caminho para a mobilidade só é possível graças à tecnologia. Não dá para ficar esperando as coisas acontecerem, é preciso trazer soluções inovadoras para o trânsito, que tragam mais eficiência, fluidez e segurança.

No quesito segurança, a “muralha ou cercamento digital” é uma realidade em cidades grandes e pequenas. Por meio de câmeras instaladas estrategicamente, todo veículo que entrar ou sair do município é monitorado. As informações obtidas são compartilhadas com sistemas policiais, que podem identificar veículos roubados ou que possuem outras irregularidades.

Para que tudo isso funcione de maneira integrada, são necessárias políticas públicas estáveis. Inserir novas tecnologias nas próximas concessões é extremamente importante para que todos possam contar com níveis elevados de qualidade do serviço, do usuário aos órgãos de fiscalização, passando por todas as divisões de uma concessionária.

Mas, afinal, quais são os novos caminhos para concessões de rodovias no Brasil? Como tornar as vias informatizadas? Investir na regulamentação e infraestrutura é o primeiro passo, de forma a adotar produtos que trabalhem com algoritmos próprios e específicos para processamento embarcado, não onerando os canais de comunicação e com possibilidades de uso com as tecnologias de comunicação que estão por vir.

Ian Robinson é engenheiro eletricista e gerente de marketing na Pumatronix.

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